Conhecimento & Arte

Tirando proveito do melhor da vida

Reflexão

Numa noite fria de um quase inverno sigo com a minha rotina de matar o tempo navegando e assistindo seriados nas últimas horas antes de dormir. Janela e portas fechadas, me isolando do mundo mal, percebo a movimentação que acontece lá fora. Curioso pelos barulhos desconhecidos,  coloco a cabeça no ar frio da janela e percebo um carro negro com dizeres fúnebres estacionado de fronte  uma pequena casa ao lado do meu prédio. Era uma casinha humilde e antiga, uma das poucas que restou do boom imobiliário que ronda os bairros de uma cidade em pleno movimento.

Ela havia morrido, mas quem morreu? Não sei seu nome, só a conheci de vista pelas poucas vezes que passei um frente a sua casa e a vi varrendo a calçada com muita dificuldade.   Dificuldade esta proporcionada pela idade e pelos constantes tombos que seu corpo frágil era submetido. Nunca a olhei nos olhos, nem ao menos troquei duas palavras, mas  pelo tempo que a vejo conheci toda a sua rotina de acordar cedo, varrer a calçada e no início da noite escutar em som alto a missa transmitida pela TV.

Era uma senhora corajosa, mesmo com a idade morava sozinha, fazia os serviços de casa e sempre estava disposta a receber visitas. Passava uma vida agradável como alguém que trabalhou a vida inteira e agora vive como uma criança, sem compromisso algum com a vida ou com os problemas que rodam pelo mundo, a única diferença é que a criança espera pela vida e a velhinha esperava pelo descanso eterno. É triste, mas na vida existem etapas que nunca imaginamos que um dia podem chegar, e chegam, como o vento frio soprando por cima do caixão de mogno envernizado contendo o fraco corpo que um dia já foi jovem e desfrutou toda uma vida.

É triste sabermos que a cada momento uma vida é desligada desde mundo, mais triste ainda são inúmeras vidas desperdiçadas que mal deixam marcas de que um dia já foram parte deste mundo ou serviram de inspiração e impacto em outra vida. Como disse Machado de Assis: “você mata o tempo e o tempo te mata”. Estava eu matando o tempo enquanto o tempo matava quem já havia matado tempo demais.

Muito obrigado nobre senhora, por ter impactado em minha vida mesmo sem termos trocado uma única palavra seu exemplo de vida e resistência me tornaram seu admirador e colega.

Descanse em paz desconhecida

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Publicado às junho 8, 2012 por em Uncategorized e marcado , .
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